Um grande homem, uma grande história.
Quando tinha 9 anos de idade, uma ideia vinha inquietando a mente do pequeno prodígio Rudolf Steiner (1861-1925).


Ele tinha percebido que os sentidos, como a audição, a visão e o tato limitavam o processo de aquisição de conhecimento, ou melhor, que o mecanismo do aprendizado se circunscrevia às ideias e aos conceitos já manifestados através das recordações e das percepções sensoriais.
Steiner conta em sua autobiografia que nessa época estudava na escola da pequena cidade austríaca de Neudorf, quando teve então seu primeiro contato com o estudo da Geometria, através de um livro que tomou emprestado de seu professor.
Durante várias semanas ocupou sua mente com o estudo da Geometria, fascinado com as coincidências e similitudes das formas geométricas, dos triângulos, quadrados e polígonos, da questão da intersecção das retas e do Teorema de Pitágoras.
O jovem filósofo então percebeu, a partir das suas reflexões sobre a Geometria, que era possível ao pensamento adentrar um âmbito além do puramente sensorial e preconcebido pelas referências internas da mente concreta, discriminativa e comparativa, e baseada nas impressões guardadas na memória.
Através dessa reflexão, Steiner notou que era possível adquirir conhecimento diretamente do plano supra-sensível, portanto incondicionado, mecanismo este que nada mais é do que a própria atividade do mental abstrato, já no âmbito do Espírito.
Não por acaso, portanto, Steiner se revelaria, na vida adulta, como um dos grandes gênios da recente História da Humanidade.
Gênio multifacetado, Rudolf Steiner deixou extensa obra literária, e destacou-se sobretudo nos estudos das Religiões Comparadas, do Cristianismo Gnóstico, de Filosofia, da Teosofia e também das Ciências.
Seu pensamento revolucionário, que conciliou ciência e espiritualidade, com o desenvolvimento de novos métodos e técnicas, expandiu-se a áreas do conhecimento como a pedagogia, a medicina, a botânica, a arquitetura e as artes.
Em 1902, Steiner ingressou na Sociedade Teosófica, que era então presidida por Annie Besant e fundou a Seção Alemã da Sociedade Teosófica em Berlim, da qual foi Presidente.
Desligou-se da Sociedade Teosófica em 1912, por discordar de que o jovem indiano Krishnamurti seria a encarnação do Buda dos novos tempos, como vinham apregoando Annie Besant e Charles W. Leadbeater.
Por conta disso, fundou, na Alemanha, a Sociedade Antroposófica, como uma dissidência da Sociedade Teosófica.
Mais tarde o próprio Krishnamurti afirmou não ser o Avatara proclamado por Besant e Leadbeater.
Em 1919, em parceria com Emil Molt, diretor da fábrica de cigarros “Waldorf Astoria”, em Stuttgart, Steiner fundou uma escola para os filhos dos operários da empresa, onde pôde colocar em prática o método pedagógico revolucionário por ele idealizado, que ficou conhecido como “Pedagogia Waldorf”.
O método da “Pedagogia Waldorf” mostrou-se um sucesso e até hoje é adotado em diversas escolas ao redor do mundo.
A “Pedagogia Waldorf” busca o desenvolvimento global dos alunos, de acordo com as suas capacidades e aptidões, respeitando as características e diferenças de cada personalidade; procura despertar o gosto pelo aprendizado, estimular a criatividade e desenvolver o livre pensar, considerando não só a evolução física e mental, mas também emocional e espiritual das crianças e dos jovens.
Além das matérias tradicionais, como matemática, ciências, história, geografia e línguas estrangeiras, no currículo escolar também se inserem disciplinas como filosofia, astronomia, artes plásticas, artesanato, música, teatro, euritmia e técnicas agrícolas, dentre outras.
Atualmente, existem no mundo por volta de 1.000 escolas filiadas à “Pedagogia Waldorf”, algumas delas inclusive no Brasil.
Rudolf Steiner também criou técnicas de meditação a serem aplicadas por médicos, em determinadas circunstâncias e para certas finalidades, como descreveu na sua obra “Considerações Meditativas e Orientações para o Aprofundamento da Arte Médica” e também em outros de seus livros e textos.
Tais técnicas consistem em mantras (cânticos, orações) idealizados por Steiner, fundamentados na observação da natureza, nas ciências naturais, e associados à contemplação das fases da vida de Cristo, conforme descrita nos Evangelhos.
Elaborou também outros métodos de“Pedagogia Curativa”, que serviram de base para o “Movimento Camphill”, fundado na Escócia pelo médico austríaco Dr. Karl König em 1939, relacionado à criação de Comunidades de Educação Terapêuticas, que ainda hoje existem às centenas em diversos países.
Em 1913, em Dornach, na Suíça, com projeto arquitetônico de sua autoria, Steiner iniciou a construção da sede do seu movimento, batizada de “Goetheanum”, em homenagem ao gênio alemão Johann Von Goethe (1749-1832), uma das grandes referências do seu pensamento.
Logo após o final da 1ª Guerra Mundial, em 1919, Steiner e a Sociedade Antroposófica começam a ser alvo de constantes ataques de membros do então nascente movimento nacional-socialista, inclusive por parte de Adolf Hitler: em 1922, quando proferia uma palestra em Munique, Steiner escapou por pouco de um atentado contra sua vida, preparado pelos nacional-socialistas e em 31 de dezembro de 1922, a sede do“Goetheanum” foi completamente destruída por um incêndio criminoso, indubitavelmente executado pelos nazistas.
Frente a esses ataques, Steiner advertiu sobre os efeitos desastrosos para a Alemanha e para a Europa se algum dia os nazistas chegassem ao poder, o que realmente aconteceu uma década depois, com a ascensão de Hitler ao poder, quando se iniciou um dos mais abomináveis capítulos da História da Humanidade.
O “Goetheanum” foi reconstruído e reinaugurado em 1928, 3 anos depois da morte de Steiner.
O gênio de Rudolf Steiner foi preparado para atuar como um “Yokanaan”, ou seja, o anunciador de um Novo Ciclo Evolutivo.
Sua missão, de caráter sinárquico, consistiu em dar suporte, a partir da Alemanha e da Áustria, ao trabalho a ser estruturado e firmado na América do Norte (com foco nos Estados Unidos) e principalmente na América do Sul (com foco no Brasil), pelo desenvolvimento dos 6º e 7º Estados de Consciência, Bimânico e Atabimânico, relacionados diretamente com as 6ª e 7ª Subraças da Raça-Mãe Ária.
Neste aspecto, falhou em parte quanto à sua missão, por ter permanecido totalmente fixado na Alemanha e na Europa, não direcionando sua atenção ao Extremo Ocidente do Globo, foco dos desenvolvimentos dos novos Estados de Consciência.
Por outro lado, tal circunstância não diminui o inestimável legado que deixou à Humanidade o grande Rudolf Steiner, uma das maiores Consciências que já passaram pela face da Terra, mesmo que ainda não lhe sejam atribuídos o valor e o respeito que ele merece.

“Perseverança é aprender; aprender é praticar; praticar é repetir; repetir é ganhar experiência; experiência é crise; crise é prova; prova é fortalecimento; fortalecimento é liberdade; liberdade é criar do nada; criar do nada é transformar; transformar é caminho e fim ao mesmo tempo” (Rudolf Steiner)

Fontes de pesquisa:
Cadernos Fiat Lux nºs 17 e 23, autor: Roberto Lucíola; Material Exclusivo editado pela Sociedade Brasileira de Eubiose. © Copyright– Sociedade Brasileira de Eubiose – Todos os Direitos Reservados
Livro Minha Vida, autor: Rudolf Steiner, Ed. Antroposófica;
Artigo: “O Impulso de Cristo nos Mantras Médicos de Rudolf Steiner”, autor: Dr. Friedwart Husemann, disponível no site www.abmanacional.com.br;
Artigo: “Pedagogia Waldorf”, autor: Valdemar W. Setzer, disponível no site www.sab.org.br
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